segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vagas recordações que ficam guardadas na lembrança


      Nossa, minhas lembranças na educação infantil! Confesso que lembro vagamente, mas o que lembro como se fosse hoje é que eu fugir no meu primeiro dia de aula. Sim, eu fugir. Estava eufórica, radiante em ir pela primeira vez à escola. De repente, meu mundo caiu... Meu pai foi me levar, como a escola não era distante de casa, cheguei quase junto dele. De volta! Sim, eu sair correndo, talvez tenha sido porque não tenha despertado em mim a “ primeira vista” o amor e o fascínio que tenho hoje pela vida acadêmica.
      A escola na época já apresentava um modelo construtivista, isto é, a construção do conhecimento ocorre em um contexto social, na interação com os outros, no entanto, portava algumas características tradicionalista, como acho que exista até hoje. Na verdade, não era conservadora, mas embasava de fundamentos que constituía uma prática enraizada pelo tradicionalismo. Isto é, ocorria a transmissão do conteúdo mais mecanizado, favorecendo consequentemente uma aprendizagem mecânica. Ou seja, os alunos eram instruídos, ensinados pelo professor de forma que os conteúdos e as informações eram adquiridas. Resumindo, os modelos eram, na verdade, imitados. O bê a bá tão falado!
      Possivelmente, esta tenha sido as possibilidades mais favoráveis encontradas pelos educadores, uma vez que os mesmos (educadores) não tinham uma “qualificação adequada” que pudesse contemplar as necessidades para alicerçar uma alfabetização coesa, situação esta que possivelmente contribuiu para uma prática que iniciava-se na “missão” de completar as atividades de pontilhado com números, letrinhas, enfim, características típicas de uma criança na fase pré-silábica, em que o indivíduo( criança) sabe que a escrita é uma forma de representação, relacionando o tamanho da palavra, por exemplo, ao tamanho do objeto. Ou seja, uma fase onde só a criança sabe o que quis escrever. Sabe-se, que as crianças começam a pensar na escrita muito antes de ingressar na escola. Por isso, precisam ter a oportunidade de colocar em prática esse saber, o que deve ser feito em atividades que estimulem a reflexão sobre o sistema alfabético. Por isso, faz-se necessário o professor atentar intensamente à metodologia implantada para alfabetizar um sujeito. Assim sendo, continuei minha trajetória de forma gradativa, desenvolvendo afinal minhas capacidades cognitivas.
      Consequentemente à mudança de nível escolar acontecera às exigências das atividades, partia agora para um próximo passo: as “provinhas” em que o método de avaliação era o decoreba da matemática ou lição do próprio livro didático, minha mãe coitada, ficava a tarde toda comigo para “ aprender” a lição! já a avaliação escrita era a reprodução dos exercícios no caderno. Na verdade, sabe-se hoje que avaliar o nível de alfabetização e as intervenções mais adequadas para cada aluno não é tarefa fácil, mas, por ser um processo complexo, o professor tem de atentar às práticas avaliativas com muito cuidado, uma vez que a finalidade da mesma (avaliação) é justamente verificar até que ponto as experiências de aprendizagem, tais como foram desenvolvidas e organizadas para produzir assim resultados desejados. Na época, talvez os professores não se atentaram significativamente a este propósito, fundamentando apenas no fator transmitir o conteúdo.
      Lembro que sempre tive professores homens, o que impossibilitou, de certa forma, uma interação mais intensa com a turma, já que eram mais “retraídos” e o vínculo que existia era apenas aquela “relação respeitosa” entre um professor não muito carismático com uma “inocente turminha” curiosa, assustados! Por quê não? Já que eram tantas novidades, tantas coisas complicadas, muitas informações que parecia ser nosso verdadeiro “bicho papão”. E como se sabe as relações humanas são peças fundamentais na realização comportamental de um indivíduo. Deste modo, o fator relacional entre professor/aluno é essencial, envolve nele interesses e intenções, bastante significantes, além de corroborar que esta interação é o expoente das consequências em sala de aula. Ou seja, “é o modo de agir do professor no ambiente (sala de aula), mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos”. Assim sendo, fica evidente que o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula, proporcionados obviamente pela postura metodológica do docente.
      Por isso, esta relação é importante, para que exista a confiança, empatia e respeito do aluno pelo professor. Além disso, é observável que decorrente destes efeitos aqui citados ainda é possível analisar nesta interação o desenvolvimento de forma motivadora e espontânea da leitura, a escrita, a reflexão, a aprendizagem, a pesquisa autônoma, trabalho com o lado positivo dos alunos, visando sempre a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. Enfim, Possibilidades estas cabíveis através da relação desenvolvida entre educador/educando.

Um comentário:

  1. Oi Cintia,

    Fique emocionada de ler suas narrativas. Você conta a sua história e também traz as discussões para alimentá-las . Isso é fundamental nessa fase de formação...a articulação entre os saberes e a memória.

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